Eu tenho uma péssima mania de esquecer as coisas. E é assim desde sempre.
Eu esqueço os meus óculos e só lembro que o esqueci, quando já estou bem distante de casa. Sem ter como voltar.
Eu sempre esqueço as minhas chaves, como poderei entrar em casa?
Houve um dia em que eu não esqueci.
Meus óculos estavam dentro da minha bolsa, e as chaves também. Confesso que achei estranho, porque, por mais que eu sempre esquecesse, sempre havia um dia em que eu lembrava de um deles. Mas dessa vez, dessa única vez deu certo. Eu não havia esquecido nada.
E eu te avistei, como em todos os dias. Se tem algo que eu não esquecia de fazer a cada dia que passasse, era isso. Era olhar para você. Você é simples no meio de tanta complicação. Mas a complicação nunca foi problema pra você, porque a complicação está dentro de mim e você consegue tornar esse mar em ressaca, num mar com a maré baixa. Assim, você complica. Ou descomplica.
Lembro do que você disse, que eu sou um labirinto que você não queria achar a saída. Mas, porque não sair? Aí dentro é só tumulto, confusão. Aqui fora tudo é mais simples, jurei dar meu coração de garantia caso você saísse. E você saiu. Mas não saiu pra viver aqui fora comigo, saiu pra viver sozinho e não aceitou a garantia. Jogou-a contra o meu peito e disse: "Acho que isso é seu"
Gostaria de ter esquecido ele com você.
E agora, onde deixarei meu coração?
H
quarta-feira, setembro 17, 2014